Dias difíceis...

Como sabem, moramos em Niterói e nos últimos dias as coisas estão bem complicadas por aqui. Choveu muito na última semana. Ficamos sem sair de casa porque as estradas estavam fechadas e vimos coisas que nunca havíamos visto de perto...

Não gosto de discutir assuntos polêmicos, mas o que acompanhamos por aqui não foi somente uma tragédia por causas naturais. O que vimos principalmente foi a negligência... Será que alguém pode dizer por onde andava nosso querido prefeito (reeleito!) nos dois primeiros dias do caos? Vai saber...

O pior foi ver pessoas cobrando para ajudar! Tinha surfista “desfilando” com suas pranchas pelos locais alagados cobrando uma quantia irrisória de R$5,00 para tirar pessoas presas em ônibus! Outros cobraram R$10,00 pra oferecer um pouco mais de conforto em uma caixa d’água que servia de barco! Estou procurando um adjetivo para essas pessoas, mas não encontro nada além de “cretinos”. Poderia usar outras palavras, mas sou uma lady e não escreverei palavras feias aqui... Até ouvi um comentário em um programa de TV onde diziam: “Esse surfista podia estar em casa hoje cheio de sarna!”

Como aceitar que a pior tragédia que vimos por aqui aconteceu porque uma favela foi construída em cima de um lixão desativado? E se isso não bastasse, com apoio do governo e até obras de pavimentação? Quer mais? Essa não era a única! Existem outras nas mesmas condições!

Ainda bem que nem tudo está perdido... Tem muita gente ajudando da forma que pode. Vimos pessoas acolhendo os vizinhos em suas casas, outras revirando escombros com as próprias mãos para tentar encontrar alguém vivo... Vocês não fazem idéia da quantidade de donativos que estão chegando nos postos de coleta. Quem tem bom coração ajuda como pode.

Tá bom, eu sei... Nada disso é novidade, não é mesmo? E se eu te disser que nada disso me surpreendeu? Nem a você, não é? Pior de tudo é começar a achar que isso é normal! Certa vez li em um blog que quando começamos a achar essas coisas normais, que devemos aceitar e deixar prá lá, é porque é hora de fazermos alguma coisa por nós mesmos e pelos filhos que queremos ter. A nossa escolha já foi feita.

Em meio a toda essa confusão, cheguei à minha vigésima sexta primavera. Sou grata por ter saúde, um marido lindo que me ama, uma casa sequinha e confortável... E por ver meus sonhos se tornarem realidade! Não tenho nada para pedir, apenas agradecer pela vida maravilhosa que tenho e pelas pessoas que me cercam.

Aos que me amam e me apóiam, muito obrigada! Aos que não me amam, não sabem o que estão perdendo! Aos que me apóiam, agradeço profundamente e saibam que precisarei ainda mais do seu apoio. Aos que não me apóiam, sempre me lembrarei de vocês, pois sempre procuro aprender com meus erros e os dos outros também. E, finalmente, ao Consulado, só peço que enviem logo nossos pedidos de exames, tá bom?

Obrigada pela visita e voltem sempre!

Bises,

Sra. Incrível


Ai gente, tô tão animada!





Dia desses estava conversando com uns amigos que já estão prontos para ir de “mala e cuia” e comentávamos o quanto nossas vidas estão inertes, esperando o tempo passar sem poder fazer muitas coisas. Comentava que estou em um tempo onde ficaria difícil arrumar um emprego fixo, pois sairia daqui alguns meses, e também seria meio complicado começar alguma modalidade de estudos, investindo uma grana para daqui a algum tempo ter que largar tudo para mudar de país. Um colega até disse que queria poder tomar um remedinho, congelar o corpo e só descongelar no dia da viagem!

Aí, conversei muito com o Sr. Incrível e decidimos que preciso ocupar meu tempo de alguma forma e com algo que não tivesse relação com imigração, Québec, Canadá, Internet e afins... Pensei em fazer alguma atividade terapêutica, tipo música, artesanato... Mas meu incrível marido sugeriu que fizesse alguma coisa que pudesse ser útil quando formos embora. Tudo bem, era pra ser alguma coisa que não tivesse relação com a mudança, né? Mas por que não ser algo que possa me trazer um retorno financeiro?

Bem, até um tempo atrás nunca havia me interessado por moda, tendências, coisas fashion e , mas até que comecei a me ligar nessas coisinhas... Comecei a assistir alguns programas de TV e até resolvi mudar um pouco. Comecei a escolher melhor as minhas roupas na hora de comprar, comecei a usar uns esmaltes da moda e até mudei o cabelo. Foi aí que me encontrei! Adorei ter cabelo da moda! Há anos tinha um cabelão todo inteiro e cacheado que minha avó dizia ser os cabelos da Perla! Era lindo, mas dava um trabalhão daqueles! Depois que me entreguei às tesouradas do Wallace e às químicas da Patrícia, vi que cabelo maleável é tudo de bom! Comecei a ler algumas coisas sobre químicas capilares, sobre corte de cabelo, sobre tinturas... Quando ia à casa da minha mãe era uma farra! Todo mundo ficava esperando que eu chegasse pra pintar, escovar, fazer as sobrancelhas...

Foi aí que meu lindo maridinho me sugeriu: “por que não fazer um curso de cabeleireiros? Você gosta tanto! E lembre-se que pra onde vamos a mão-de-obra é super valorizada!”
Sabe quando acende uma lâmpada em cima da cabeça? Foi bem assim! Fui lá começar as minhas pesquisas (somos meio nerds, não tomamos nenhuma atitude sem antes fazer uma longa pesquisa relacionando tudo sobre o assunto!) sobre cursos, o que se aprende, quais os melhores, se tem escolas aqui em Niterói, e como isso funciona lá nas “terras geladas”. Descobri que é mais ou menos como aqui: tem de todos os “níveis”. Tem bons e caros, bons e baratos, ruins e caros e ruins e baratos. Mas tem mercado como aqui. Pesquisei no Emploi Québec algumas vagas e vi que tem muitas onde sequer se pede experiência e que dá pra ganhar até um dinheirinho como ajudante.

Nossas reais intenções são que eu estude e finalmente consiga realiza o grande sonho da minha vida, que é fazer uma faculdade. Esse meu sonho já havia ficado tão distante e impossível que agora como voltei a ter esperanças aceitaria estudar qualquer coisa! Nem sonho mais em estudar nada específico, como tanto sonhei uns anos atrás! Mas pode ser que as coisas não saiam como estamos planejando, então devo estar preparada para arregaçar as mangas e trabalhar pra levar a vida. Além disso, trabalhar lá será uma excelente maneira de melhorar meu francês e inglês.

Escolhi um curso no SENAC que vai começar dia 29/03 e vai até agosto. Fui até lá, conheci as salas e os salões (o curso é praticamente todo prático, feito em salões-escola) e fechei. Achei legal porque além de aprender a profissão, também terei aulas de empreendedorismo. Aprenderei a administrar um negócio, caso queira me tornar dona do meu próprio salão! Terei aulas todos os dias à tarde, o que vai me possibilitar continuar a cuidar da casa e freqüentar a academia pela manhã. Ocuparei meu tempo com algo útil e que me será prazeroso. Se não der pra trabalhar com isso, ao menos me servirá para cortar o cabelo do Sr. Incrível!

Então meus amigos, estejam avisados: quando estiverem no Québec, já sabem quem será sua cabeleireira de confiança, né?

Voilà!

Sra. Incrível

Viva!

Pois é, meus caros... finalmente nosso primeiro envelope de papel reciclado chegou! Foi ontem (16/03). Já tínhamos até desistido de perturbar o porteiro! Mal sabe ele que nós seremos ainda mais incômodos... muuuito mais!

Semana passada o Sr. Incrível ligou pra lá, já desesperado com a falta de respostas, e nos disseram que haviam recebido nosso pacote e abriram o processo em 19/02, mas que só receberíamos nossa cartinha posteriormente. E sem a cartinha, n“e-cas” de consultas via web sobre o status do processo...

O e-cas é um sistema onde consultamos o andamento do nosso processo junto ao consulado. Na cartinha que recebemos consta o número do nosso processo, e é com ele fazemos a consulta. Se estamos no e-cas é que o processo está sendo analisado (consta lá a data de inicio da análise como 02/03/2010), mas existe uma lenda que reza que se o seu endereço aparece no sistema é porque o pedido dos exames médicos virá em breve. O nosso endereço já está lá, mas não acreditamos que o nosso pedido chegará assim tão rapidinho... Sabemos de casos onde o pessoal já recebeu o pedido de passaporte e o endereço não apareceu, e até tem casos onde já foram até embora e nada de e-cas!

O consulado disse que o prazo de processamento do nosso pedido de visto é de 10 meses. Se não recebermos nenhum comunicado até agosto desse ano deveremos fazer um pedido por escrito sobre o andamento do nosso pedido. Disse ainda que poderemos ser convocados para uma entrevista com o oficial de imigração que será agendada com 2 meses de antecedência e que enviarão as instruções específicas para essa entrevista, caso seja necessário. Bom, nunca ouvimos falar de ninguém que tenha sido convocado para essa entrevista, mas como o documento que recebemos é oficial, nunca se sabe... Se não formos convocados para essa entrevista até dezembro, deveremos fazer outro pedido da nossa situação por escrito.

Até lá, vamos continuar esperando... Temos ainda muita coisa pra fazer... Planejamos começar a venda das coisas da nossa casa apenas quando recebermos o pedido dos passaportes. Só aí marcaremos uma data para nossa viagem, compraremos nossas passagens e faremos nossos planos para nossos últimos meses aqui no Brasil. Confesso que estou muito tranqüila, afinal, falta mais ou menos um ano pra acabar tudo aqui e recomeçar por lá...

Vou indo. No próximo post trarei novidades...

Sra. Incrível

Gente, tenho que comentar!

Olá meus queridos! Como todos já sabem, estão acontecendo os Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver, no Canadá. Estamos acompanhando alguns jogos pela tv e um dia desses assistimos ao jogo de hóquei no gelo entre Estados Unido e Canadá. É evidente que estávamos torcendo pelo nosso futuro país, né? Mas... Infelizmente, ele perdeu...

Não sabia muita coisa sobre esses esportes (na verdade sobre esporte algum!), e durante a transmissão soubemos que os E.U.A. não vencia o Canadá em partidas olímpicas desde os anos 80 e que existe uma rivalidade muito grande e bla, bla, bla... Esquecemos o assunto.

Ontem, navegando pelo Kibe Loco (o que costumo fazer todos os dias!) achei esse post e ri muito! Fala sério!

Explico: no Canadá, o sistema de saúde é público, não são comuns planos de saúde ou hospitais particulares, ao contrário dos E.U.A., onde é tudo privado e o atual governo está tentando implementar o sistema público.

Vai aí a imagem e viva o Kibe Loco, sempre colaborando para o nosso crescimento cultural!


Quem ri por último, ri melhor!


Té mais!

Sra. Incrível

Documentos do Processo Federal Enviados!

Estávamos sem muitas coisas pra escrever aqui... Muita pesquisa e novas correrias por documentos, é claro, mas sem muitas novidades para postar. Mas agora temos e vamos direto ao ponto: mandamos a documentação do processo federal!!! Fizemos um rombo em nossa conta bancária no dia 11/02, na beirinha do Carnaval, enviamos e saímos mais leves, felizes e cantarolando! Agora estamos ansiosamente no aguardo da cartinha de abertura do processo. E, é claro, torcendo para não dar nenhum rolo com os documentos que enviamos... Tá tudo certinho, revisado váááárias vezes, mas Murphy é um cara cruel...

O mais interessante é a logística do pagamento: sacar o dinheiro no Itaú, atravessar a rua e depositar no HSBC. Estávamos receosos andar com dinheiro, mas descobrimos uma rua lá no centro do Rio que tem uma agência do Itaú de um lado e uma do HSBC do outro lado. Já explico: o Consulado só aceita o pagamento por depósito em conta. E não tem como sacar essa quantia no caixa eletrônico. Tive que chegar mais cedo à agência para sacar o dindin e rezar para que nada me acontecesse ao atravessar a rua! Brincadeiras à parte, viver no Rio de Janeiro tem esses detalhes... Se ajudar alguém, essas agências ficam na Rua da Assembléia, no quarteirão da Rio Branco no sentido das barcas. A agência do Itaú fica ao lado da loja da Victor Hugo (que eu babo quando olho pra vitrine...). Aí depois colocamos o comprovante original junto com os documentos e enviamos para o Consulado, seguindo as instruções que eles disponibilizam no site (www.cic.gc.ca). Dá até medo de mandar o comprovante original e os nossos queridos CSQs por sedex, mas fazer o que... De qualquer forma, fizemos uma cópia do comprovante pra guardar de recordação...

Aí sim começamos realmente a aprender a conjugar o verbo attendre! Pelo que tenho acompanhado, o pedido dos exames médicos tem demorado uns cinco meses... Desde que os vistos fiquem prontos até abril de 2011, nem me importo em esperar! Estamos planejando nossa viagem “de mala e cuia” pra Montreal mais ou menos para essa época. Queremos esperar o frio intenso passar, porque além de estarmos cheios de vontade de conhecer a cidade, vamos sair muito para providenciar documentação, procurar trabalho, moradia e mais um monte de coisas assim que chegarmos. Mais isso é assunto para adiante...

No momento, estamos apenas curtindo o prazer de ter enviado tudo e de não ter que preencher mais formulários, ao menos por alguns meses. Quem já passou por isso certamente irá nos entender!

Depois volto pra contar as novidades, ok?

Inté!
Sra. Incrível

Voltei!

Olá meus queridos leitores sedentos por novidades!

É com muito prazer que volto a escrever! Infelizmente não tenho grandes novidades quanto ao nosso processo... Ainda não enviamos a documentação para o Consulado abrir a parte federal, mas pretendemos fazer isso na próxima semana. Demoramos porque tínhamos algumas dúvidas que tentamos esclarecer com o consulado por e-mail, mas infelizmente não tivemos resposta até agora.

Em um dos formulários é questionado se tivemos algum visto negado, porém, apenas perguntam sobre vistos de trabalho e residência. A nossa dúvida é se devemos mencionar o visto americano de trabalho temporário de férias do Sr. Incrível que foi negado em 2003. Como não disseram nada sobre vistos de intercâmbio, acreditamos que não é necessário mencionar, mas ainda assim, colocaremos e explicaremos de que tipo de visto se trata. Em resumo, está tudo preenchido e só falta mesmo pagar e enviar.

A parte chata de não termos enviado ainda é que o dólar subiu muito nos últimos dias... Ao enviarmos a documentação, devemos fazer um depósito de CAN$550,00 por pessoa. Acontece que nesses dias o valor é de mais ou menos R$1,74 e em janeiro estava em torno de R$1,65. Se tivéssemos feito o pagamento em janeiro, o valor final seria R$1.815,00, enquanto hoje pagaremos em torno de R$1.914,00... Na atual “crise financeira mundial” aqui em casa, R$99,00 é gana pra %@%&?&!

Voltando ao meu sumiço... Precisava de um descanso após a entrevista... Fiquei um tempão sem ler nada relacionado ao Canadá. Até a Internet eu esqueci um pouco... Foi tanta preparação, que precisava limpar a minha mente um pouco, descansar... O Sr. Incrível diz que não consegue me entender, diz que sou desinteressada. Mas eu sou muito ansiosa e, para evitar mais aflição, prefiro não pensar no assunto.

Tem também o calor, né? Só quem mora no Rio sabe o que estou falando... 40º com sensação térmica de 50º não é qualquer um que agüenta... Fico irritada e não consigo me concentrar, sem mencionar as assaduras, irritações na pele e tudo quanto é ziquizira de pele que aparece em mim! Não consigo passar mais que alguns minutos no computador. Dou preferência às atividades domésticas, principalmente aquelas que envolvem água.

Acho que a única novidade que temos é que o Sr. Incrível está “de molho” em casa há alguns dias, com o pé machucado e imobilizado. Foi atravessar uma rua no centro do Rio, pisou em um paralelepípedo solto, virou o pé e pronto! Tá com uma linda botinha chamada Robocop, precisando de ajuda pra tudo...

Ah, só uma fofoquinha de um “blog amigo” que ficamos sabendo esses dias... Dá só uma olhadinha nessa história! Clique aqui pra saber! Só digo uma coisinha: ah se fosse comigo! Do jeito que sou atrapalhada ia acabar falando o que não devia, tropeçado e me estabacando no chão e talvez até derrubando o coitado do homem!

Inté meu povo!

Sra. Incrível

P.S.1: Feliz 2010! Acho que ainda dá tempo de desejar “tudibão procês” né?
P.S. 2: Ô vontade de saber com é -10º em Janeiro! É mais ou menos isso que tem feito em Montreal!

“Vous êtes acceptés”

Foi tão emocionante ouvir isso quanto “Eu te amo. Quer casar comigo?”. Nos dois casos tive aquela sensação de “Eu já sabia...”.

Depois de passar uma noite “daquelas”, com direito a goteira em telhado de plástico que mais parecia martelada (me lembrei daquele episódio do pato Donald!), falta de eletricidade seguida de muito calor e mosquitos e (óbvio!) insônia por ansiedade, pedimos para trocar de quarto. Ficamos no último andar, bem em frente ao recuo da pista do aeroporto, o que quer dizer que acompanhamos de pertinho todos os vôos que decolaram de Congonhas naquela manhã, com direito a todo o barulho dos motores!

Chegamos ao prédio do BIQ com duas horas de antecedência (Sr. Incrível é absolutamente neurótico com horários, ainda mais em São Paulo...) e, ao descer do táxi, encontramos um casal de Curitiba que havia acabado de sair com o CSQ. Conversamos um pouco, fomos até a portaria conferir se nossos nomes estavam na lista (o do casal não estava, pois com toda a pressão do momento esqueceram de confirmar a entrevista após receber o e-mail com a convocação) e saímos para comer alguma coisa. Sr. Incrível estava tão nervoso que ficou o dia sem comer. Sentamos em uma padaria que fica no quarteirão anterior e lá ficamos até faltar 40min. da hora marcada.

Quando subimos, tamanha foi a nossa surpresa quando o próprio Sr. Leblanc nos recebeu na porta do escritório com um sonoro “Bonjour”!
Nos encaminhou para a sala de entrevistas, se apresentou e foi logo confirmando nossos nomes. Não deu tempo nem de tirar os documentos da mochila, o que pretendíamos fazer na salinha de espera. Estávamos 40min. adiantados e aparentemente ele já estava doido querendo encerrar o dia, pois a nossa era a sétima do dia. Ele confirmou nossos nomes completos, perguntou se éramos casados e pediu as certidões de casamento, nascimento e os passaportes. Explicamos que não tínhamos as certidões de nascimento porque quando nos casamos o cartório recolheu. Ele disse que sabia que isso acontecia aqui no Brasil. Aproveitamos para colocar o francês em prática e dissemos que tínhamos a intenção de provindenciar novas, pois no Québec a certidão de casamento não será aceita em algumas ocasiões. Ele concordou, comentou alguma coisa e começou a conferir nossos documentos.

Perguntou como se pronuncia no nome do Sr. Incrível aqui no Brasil (no francês os nomes próprios sofrem alteração na pronúncia, digamos que são “afrancesados”...) e para quebrar o gelo, o Sr. Incrível aproveitou e perguntou como se pronunciava o sobrenome dele também. Sr. Leblanc explicou e aproveitou para perguntar qual era a origem do sobrenome e aí o gelo estava quebrado. Quando veio confirmar o meu nome, disse que era francês e não tinha diferença de pronúncia.

Em seguida ele pediu o diploma da faculdade do Sr. Incrível, elogiou bastante as notas, e verificou também seu certificado de conclusão do 2º grau técnico. Depois pediu o meu de 2º grau. Enquanto conferia, ele ia fazendo umas anotações na DCS que havíamos enviado e digitando algo no computador. Pediu a carteira de trabalho do Sr. Incrível, conferiu a experiência declarada e perguntou sobre o trabalho atual. Ele explicou que atualmente trabalha por contrato (PJ). Aproveitou para comentar que a empresa em que trabalha tem uma filial em Montreal, o que o Sr. Leblanc adorou, mas frisou que lá devemos avaliar propostas de outras empresas, não se acomodando a essa em que já trabalha, o que em um primeiro momento realmente seria mais prático. Sobre o contrato de trabalho, ele apenas perguntou com que frequência ele era renovado e mais nada! Esse era o nosso maior medo, pois embora não houvessem problemas com documentação, responder isso em francês e sob pressão seria, no mínimo, complicado... O Sr. Incrível presta serviço com Pessoa Jurídica, o que é muito comum aqui no Brasil na área dele. Como levamos todos os impostos, certidões negativas, notas fiscais, tudo relativo à empresa, achamos que ele poderia questionar alguma coisa e talvez teríamos algum problema, mas não! Ele não questionou absolutamente mais nada!

Me perguntou sobre meu último trabalho, expliquei que ainda trabalhava para a mesma empresa, só que agora por demanda, sem comprovação formal. Novamente ele não questionou nada e eu também não prolonguei o assunto. Aí veio a famosa pergunta “por que o Québec?”. O Sr. Incrível começou a responder e de repente, no meio da resposta, travou! Ficou alguns segundos em silêncio aí eu continuei a responder. Havíamos combinado que não usaríamos a expressão “qualidade de vida” e tentaríamos explicar o que isso significa para nós. Foi o que fizemos.

Ele aproveitou para perguntar o que o sr. Incrível pode oferecer para o Québec, o que faria o Québec querê-lo. Nesse momento, eu achei que estava tudo perdido, pois responder esse tipo de pergunta mesmo em português é complicado... o nervosismo era tamanho que ele entendeu a pergunta, mas não sabia como responder. Citou as tecnologias com que trabalha e pegou as ofertas de trabalho e uma pesquisa salarial para a área de TI que ele havia feito. Sr. Leblanc novamente só passou o olhos em tudo e disse que, mesmo bem qualificados, devemos nos preparar ainda aqui no Brasil pensando em experiência profissional, salário, qualificação e itens diversos, de modo que lá possamos concorrer com o que há de melhor no mercado de trabalho. Concordamos plenamente com esse ponto, visto que os investimentos ainda aqui para melhorarmos nosso curriculums em alguns pontos serão definitivamente mais fáceis e baratos que lá, onde primeiramente não teremos empregos para custear essas “melhorias”.

Logo após, ele se voltou para mim e perguntou quais eram meus planos e o que havia pesquisado. Expliquei como era meu trabalho e mostrei um álbum fotográfico que levei. Ele ficou surpreso com as fotos da parte da festa, aí eu expliquei que aqui no Brasil existe uma tradição de grandes festas de casamento. Em seguida, mostrei as ofertas de trabalho que levei e expliquei que poderei trabalhar com a mesma coisa lá, porém o mercado é mais voltado para estúdios que eventos sociais.

Ele nos parabenizou pela organização e pelo planejamento, disse nossa nota foi 77(precisaríamos que fosse 68, pois nos enquadramos nas normas antigas). Enquanto ele digitava umas coisas no computador, minhas mãos estavam em cima da mesa e o Sr. Incrível segurou minha mão direita. Quando olhei para o lado, ele estava muito vermelho e a mão estava gelada. Me apavorei porque achei que ele estava passando mal, mas ele havia percebido que havíamos passado!
Foi então que ouvimos o famoso “vous êtes acceptés”. Nessa hora, não me contive e comecei a chorar! Só conseguia dizer “merci, merci, merci” e ele segurou a minha mão gentilmente e disse que não precisava agradecer! O Sr. Incrível disse que esperamos por isso há uns 5 anos!

Sinceramente, depois disso, não me lembro de mais nada que ele disse! Fiquei tão emocionada que não consigo me lembrar! A única coisa que lembro é que ele pediu para conferirmos nossos nomes no CSQ, meu marido conferiu e guardou. Aí ele disse que precisava assinar primeiro, antes de guardarmos!

Tudo durou uns 40 minutos, mas tive a sensação que foram apenas 15. Tem alguns pontos importantes que gostaria de listar:

- O Sr. Leblanc é extremamente gentil e educado. Já soubemos de história onde o entrevistador até ameaçou expulsar da sala o acompanhante por responder às perguntas dirigidas ao requerente principal, mas ele se comportou de forma extremamente amável conosco.

- Apesar de apresentarmos comprovantes de estudos de inglês (350h com a nossa última professora) ele não nos cobrou isso. Talvez por termos muitas horas de estudo com uma professora particular, e o Sr. Incrível trabalhar em uma área onde o Inglês é muito necessário.

- Ele não foi exigente com os documentos da empresa do Sr. Incrível. Apenas analisou o contrato de prestação de serviços dele, sem outros questionamentos. Lembrando apenas que junto com a DCS, já havíamos enviado todos os documentos da empresa, comprovantes de impostos pagos, imposto de renda e certidões negativas de débito federais e estaduais.

-Ele não perguntou se tínhamos pesquisado local para morar, bairro que escolhemos, etc. Nem mesmo analisou as planilhas de “primeiros passos ao chegarmos” nem dos gastos iniciais que havíamos levado. Apenas disse que nas cidades menores como Ville de Québec, Trois Rivières, Laval também existem muitas oportunidades para quem é de TI.

Agora que já temos nossos CSQs, só falta um documento que devo solicitar na Polícia Civil em Vitória, pessoalmente, para que possamos enviar o federal. Estou vendo a maneira mais “fácil” de fazer isso, se é que vai ser tão fácil assim...

Sra. Incrível

Postzinho só pra relaxar antes da entrevista…

People, tô aqui no hotel, sem nada pra fazer, Sr. Incrível está justificando o valor pago pela diária e faz bom uso da cama (dormindo, claro!) e eu aqui, escrevendo esse postzinho pra passar o tempo e atualizar as últimas informações antes da entrevista...

O vôo foi tranqüilo, com algumas turbulências que fizeram o Sr. Incrível suar bastante mas o comandante era todo engraçadinho, veio fazendo piadinhas até com a turbulência que enfrentaríamos para pousar... Eu fiquei bem, nem suei as mãos como sempre acontece! Acho que é porque não teve aquelas quedinhas, que fazem o avião descer e o corpo ficar... Foram só umas tremidinhas, como se estivéssemos em uma estrada esburacada. O hotel é legalzinho, fica em frente ao aeroporto de Congonhas. Conversei com a moça da recepção e perguntei se “aquele” lugar ali na frente era o que eu estava pensando e era mesmo... Trata-se do local onde ficava a Tam Cargo, onde um avião da própria companhia bateu uns 2 anos atrás, matou um monte de gente... Fica uns 200 metros daqui. Ela disse que foi horrível, muito cheiro de fumaça, a avenida aqui ficou interditada por 1 mês, teve muito movimento de curiosos, da imprensa... Muita tristeza...

Almoçamos aqui do lado, tava com vontade de comer um “surrasco” (é assim que falou o tiozinho lá no Maracanã quando perguntamos os sabores de salgadinhos que ele tinha pra vender!) mas estou começando a ficar preocupada com o que pode acontecer com o meu intestino! Vou dar uma passadinha em uma farmácia logo mais. O Shoping Ibirapuera fica aqui perto, vamos dar um passeiozinho lá logo mais.

A história do documento perdido

Lembram o comprovante de estudos da Aliança Francesa que havíamos perdido e pedido outro? Pois ele chegou! Na quinta feira, o prazo máximo que havíamos estipulado para esperar. Caso não chegasse, minha sogra sairia correndo de Vitória para levar uma outra cópia lá em casa. Legal, só que veio com um pequeno erro: minhas horas de estudo estavam erradas! Faltavam 24 horas no total. Mas como já estava em cima da hora, não daria tempo de tentar substituir. Já havíamos pensado em como explicar toda a história para o entrevistador, treinamos direitinho o francês...

Pois bem, na sexta-feira 13, estava tranqüila (sorry, ainda não aprendia a enxergar essa a palavra sem o trema rsrsrsrs...) lá em casa e o Sr. Incrível arrancando os cabelos no trabalho. Já havia me ligado umas cinco vezes, sem razão mesmo, só pra ver se o tempo passava. Resolvi dar uma faxina boa na cozinha, daquelas de lavar paredes, jogar água em tudo, esfregar bastante e não deixar nem um vestígio de gordura, afinal, fazer limpeza sempre ajuda a relaxar. Estou sem faxineira há uns 15 dias e aos poucos estou descobrindo as “cacas” que a moça deixou para trás. Observei que ela não tinha esse hábito de limpar bem minha cozinha e resolvi tirar tudo do lugar para limpar. Quando arrastei a mesa (que fica encostada na parede, imprensando uma das cadeiras), entre muita poeira e teias de aranha, adivinhem o que encontrei????? Um pilha de papéis e nela estavam os comprovantes sumidinhos da Aliança Francesa!!!! Isso mesmo, ao invés dela me perguntar o que fazer com aqueles papéis todos, ele deu o seu jeitinho... Bendita a hora em que resolvi tirar tudo do lugar!!!!

Documentos conferidos e re-re-re-re-conferidos, francês afiado (acho que fechamos umas 250 horas de estudo no total!), simulações e mais simulações feitas e chegou a nossa hora... Com medo de haver mais alguma pedra em nosso caminho, trouxemos os dois notebooks; um ferro de passar roupa, porque queremos estar bonitinhos para o moço da entrevista ir com a nossa cara; chapinha; secador de cabelo; um par de roupas extra para cada um, devidamente localizados nas mochilas dos notes, caso nossa mala extraviasse...

Agora é tentar relaxar e esperar as próximas 24 horas... Preparados, nós estamos. Acreditamos que dará tudo certo, mas caso não escutemos o famosa frase “Bienvenue au Québec” (Bem vindos ao Québec), poderemos tentar de novo daqui a seis meses. Espero que valha cada espinha que apareceu no meu rosto!

Até o CSQ!

Sra. Incrível

Quase nada de novidade...

Cá estou numa ansiedade daquelas... Fico me lembrando de quando era criança, que ficava contando as horas para o primeiro dia de aula, para meus primos chegarem lá em casa, para o dia do Natal... Não dormia, e quando conseguia, sonhava com o que estava para acontecer. Havia aquela inocência de criança, que fantasiava todos os detalhes, e quando acontecia parecia que estava vivendo meu conto de fadas. Era tudo perfeito, exatamente como havia imaginado...

Estou escrevendo tudo isso, meus caros leitores, para tentar passar um pouquinho do que estou sentindo nessa semana que precede nossa entrevista. Nos últimos anos dedicamos preciosas horas lendo histórias de todos os tipos e imaginando como seria quando chegasse o nosso momento. O balanço que fazemos é que atualmente trata-se mais de uma conversa que de uma entrevista mesmo. Há algumas rodadas, o entrevistador fazia uma lista de perguntas e todo mundo decorava cada palavrinha. As pessoas faziam projetos de imigração onde era necessário fazer cansativas pesquisas sobre a história do Québec, sobre a situação política e mais um monte de coisas que não fariam diferença... Era tudo para provar que você estava realmente interessado no Québec, que realmente merecia o CSQ.

Preparamos nosso projeto de imigração de forma bem simples, baseados nos relatos das rodadas mais recentes. Os entrevistadores estão interessados em ver o planejamento. É preciso mostrar que estamos preparados para diversas situações, como a possibilidade de não encontrarmos trabalho nas nossas áreas de atuação ou só conseguirmos trabalho no quarto mês, por exemplo.

Levaremos algumas planilhas com o nosso planejamento financeiro para os nove primeiros meses, considerando a possibilidade de começarmos a trabalhar em cada um dos primeiros meses. Levaremos também, um projeto dos nossos primeiros passos, desde a chegada no aeroporto até os primeiros contatos com o escritório de imigração e emissão dos documentos canadenses, além de algumas ofertas de trabalho para nós dois e uma pesquisa sobre aluguel de apartamentos.

Conseguimos as passagens para São Paulo pela Webjet, porém, nosso vôo vai para Guarulhos e de lá iremos até o aeroporto de Congonhas em um ônibus da própria companhia aérea, uma cortesia. Ficaremos hospedados em um hotel ao lado do aeroporto, que não fica muito longe do local da entrevista. Pelo que vimos no Google e em vários outros lugares, fica distante uns 6 km.

Ah, já ia me esquecendo de contar que tivemos um pequeno problema de percurso! Semana passada estávamos organizando a pastinha com os documentos originais que precisaremos apresentar, e não encontramos nossos comprovantes de horas estudadas na Aliança Francesa. Revirei essa casa de ponta a cabeça e nada... Ligamos correndo pra lá e no mesmo dia eles nos enviaram outra declaração pelos Correios. Não recebemos ainda, mas se não chegar até quinta-feira, pediremos para a mãe do Sr. Incrível vir correndo nos trazer. Não podemos deixar de levar por dois motivos: enviamos a cópia desses documentos (ou será que enviamos os originais, por isso não encontramos???) e eles são a prova de 90 horas de estudos de francês para cada um! Vai pegar muito mal se não levarmos...

Bem, antes que a ansiedade de consuma, vou levantar e malhar um pouquinho... Ajuda o tempo passar e faz bem pra saúde!

Inté!

Sra. Incrível

P.S.: Pessoal, agora descobri como responder aos seus comentários! Não havia respondido antes porque esse mundo "muderno" de blogueira ainda é novidade e estou aprendendo como usar os recursos! Mas a partir de agora, responderei a todos os comentários! Mais uma vez, obrigada pelo carinho e os maravilhosos conselhos de todos, os que escrevem aqui e os que falam comigo de forma mais particular também!

"Quem espera sempre alcança..."

Fomos convocadoooooos!!!!!! Êbaaaaaa!!!!!

Finalmente, depois de acharmos que o BIQ tinha se esquecido da gente, eis que recebemos um e-mail na quinta-feira, dia 22, com a convocação para nossa entrevista!!!!







E (como sempre!) junto com as boas novas, sempre vem a nuvem negra, tipo aquela que encara o pessoal do Lost...


O Sr. Incrível me ligou quando chegou no trabalho, umas 9:15, como sempre faz todos os dias... Tava meio grogue ainda, tinha acabado de acordar, na verdade, acabado de me levantar porque pela manhã leva uns 30, 40 minutos pra minha mente acordar de verdade... Enfim, me deu a tão esperada notícia! Discretamente porque lá no trabalho dele num pode dar indícios do que tá rolando na nossa vida... Levei uns minutinhos pra assimilar o que tava acontecendo, mas finalmente minha ficha caiu!!! Fomos convocados!!! E pra daqui a menos de um mês?? Are you sure??? É verdade... Ainda bem que o francês tá na ponta da língua, afiadíssimo!!!
Vamos ao resto do dia...

Estamos com um pequeno probleminha de vazamento no encanamento da pia da cozinha aqui em casa. Primeiro, tínhamos um entupimento. Tentamos de tudo mas nada funcionou... Trocamos o sifão e resolveu essa parte, porém... Começaram os vazamentos dentro do armário por baixo da pia. Justamente nesse dia, o vazamento resolveu estourar e alagar minha cozinha! De quebra, a área de serviço também! Legal. Toda aquela água suja de gordura... Ok, faxina geral na cozinha, incluindo as coisas que estavam no armário.

Estava concluindo um álbum de casamento que o prazo havia expirado há uma semana. Não por minha culpa, é que eu já recebi com o prazo estourado... Era um álbum de 36 páginas, das quais umas 20 já estavam prontas e o restante terminaria naquele dia e entregaria no dia seguinte. Maaaasss... Meus trabalhos são salvos em um HD portátil, que sofreu uma “pequena queda” uns dias antes e adivinhem o que aconteceu??? Estragou!!! E eu perdi TUDO! Só consegui salvar a pasta com as fotos que a noiva havia escolhido. Que bom né! Assim eu poderia virara a noite e refazer todo o meu trabalho! Achei melhor ir limpar a cozinha pra respirar fundo, me tornar uma fênix e ressurgir das cinzas... afinal, os trabalhos mais humildes são os que mais nos engrandecem, nos fazem repensar sobre nossos erros e tentar corrigi-los. Legal. Beleza. Recomecemos.

Pensa que acabou? Claro que não! Liguei o note, e... outra surpresa! Uma mancha lilás (rosa?), vertical, bem no meio da tela! Como trabalhar com fotografia, editar imagens e fazer diagramação se tudo que se enxerga fica cor-de-rosa (lilás?) ? Mas como sou profissa, dei meus pulos, trabalhei muito e entreguei o álbum no sábado pela manhã.
Ufa... agora sim, posso respirar aliviada e escrever meu blog!

Hoje o Sr. Incrível comprou outro note, e acredito que ainda essa semana poderei pegar mais alguns trabalhos, enquanto isso, continuo em “La vie em rose”... ou seria “La vie em lilas" ?

Sra. Incível
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